ARROZANA quente, estômago doendo, panela vazia. Feijãozito pegou os dois e foi embora pra casa da avó. Arrozita gritou na porta: “passa dessa porta com meus filhos que eu chamo a polícia agora”. Chamou. Denunciou.
Na delegacia ele mostrou receita, remédio e o protocolo do banco. O salário sumiu. O cartão recusou o remédio por compras que ele não fez. Ela se enrolou sozinha. Saíram. Ele ainda foi direto pra obra — precisava do diário pra comprar mais remédio e comida.
No andaime, tudo cedeu.
Queda grave. Perna quebrada. Coluna ferida. Internado. Estável, mas sem prazo de voltar a carregar peso. Enquanto ele estava na cama do hospital, Arrozita buscou as crianças na casa de Mãe Canjica. Horas depois as panelas estavam vazias de novo. Nem comida pra tomar o remédio. E ainda chegou o tio comendo o último pedaço de pão da casa. Uma denúncia. Uma queda. E as crianças de novo sem nada.
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